Irene Neto, deputada do MPLA e filha do primeiro Presidente de Angola, na altura “República Popular de Angola” disse durante a discussão na especialidade do projecto de lei que garante o estaututo especial ao ex-presidente que, a actual família presidencial “não é pobre”, por isso, entende “não ser justo beneficiarem ainda destas regalias”.

Fonte: Radio Angola

Entretanto, o Projcto de Lei com caractér de urgência é da iniciativa legislativa da bancada parlamentar do partido no poder, que pretende garantir um estatuto especial ao ex-Presidente da República, Vice-Presidente da República e respectivas famílias direitas.

Entre as vozes discordantes, talvez a única no seio do maioritário que teve a coragem de manifestar publicamente a sua inquietação, é a de Irene Neto, deputada do MPLA e filha do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto.

Na discussão na especialidade, na última quarta-feira, na Assembleia Nacional, a deputada Irene Neto não achou justo que o actual Presidente da República que vai deixar o poder após as Eleições de 23 de Agosto beneficie ainda destas regalias, porquanto entende que a família Eduardo dos Santos não é pobre, por isso, Irene Neto diz-se “contra” tal pretensão. “As finanças não serão um problema para os futuros ex-Presidente e ex-primeira-dama”.

A depuata e membro do Comité Central do MPLA intervinha na quarta-feira, 15 de Junho, na discussão na especialidade do projeto de Lei orgânica sobre o Regime Jurídico dos Ex-Presidentes e vice-presidentes da República Após Cessação de Mandato, cuja votação está prevista para a próxima quinta-feira, 22.

“Será justo beneficiarem ainda destas regalias, ninguém pode dizer que a família presidencial é pobre, podendo, por esta razão, atender às suas necessidades pessoais e políticas, com a dignidade que correspondam às altas funções exercidas”, questionou Irene Neto.

Disse que, ao contrário da actual família presiedencial, a de Agostinho Neto não teve o privilégio de ter acesso aos bancos, empresas minerais e outras instituições. “Já o mesmo não se poderá dizer do primeiro Presidente, em que nem o seu cônjuge e os seus descendentes alguma vez beneficiaram de lugares em administrações da banca, na mineração ou de qualquer outro recurso do país, pelo qual tanto se bateu e se conseguiu levar à independência de forma vitoriosa”, acrescentou.

UNITA discorda feitura da lei pensando à pessoa de JES

O vice-presidente do “galo negro” e deputado à Assembleia Nacional, Raúl Danda presente na discussão na especial do mesmo diploma, lamentou o facto de existir uma cultura “reiterada” em Angola, em que as leis são feitas pensando nas pessoas e não nas instituições.

“Essa debilidade de estarmos a fazer leis pensando em pessoas, depois nos levarm em permanentes erros graves. Se presidente Eduardo dos Santos dicesse que não iria sair, provavelmente essa lei surgiria mais tarde”.

Na sua intervenção, Raúl Danda lamentou igualmente que o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, esteja a ser pensado, isto 38 anos depois, pelo partido no poder. “É muita pena que o presidente Agostinho Neto esteja a apanhar boleia hoje e apanhar poleia porque fico com a impressão de que nos habituaram no país a fazer coisa não a pensar nas instituições, mas a pensar nas pessoas”.

A Rádio Angola dá-lhe a possibilidade de ouvir aqui as intervenções de Raúl Danda e Irene Neto sobre a discussão na especialidade do projeto de Lei orgânica sobre o Regime Jurídico dos Ex-Presidentes e vice-presidentes da República Após Cessação de Mandato:

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