Rádio Angola (RA): Tivemos o privilégio de entrevistar Médico Maurílio Luiele, Secretário Nacional da UNITA para o Sector da Saúde para falar sobre o presente estado do Sector da Saúde em Angola.

Dr. Maurílio Luiele (ML) – Qual é a presente situação do sector da saúde em Luanda e em todo País se for possível dares alguns detalhes?

ML – A situação continua crítica, continua a degradar-se, o surto de febre amarela ainda não está controlado, isto de certo modo começou a preocupar a comunidade internacional porque o risco da epidemia se expandir para outros países que têm mosquito de Edisegite, é grande com o surto em curso, e é por isso que a União Europeia particularmente propôs a enviar para Angola especialistas para ajudar o governo de Angola a controlar o surto de febre amarela, a malária continua também a trazer muitas mortes não os números que assistimos à um mês atrás, mas ainda são mutos os casos de malária, mas de numa forma geral a crise continua a ser o maior problema, e que está a afectar os hospitais, que até um certo modo não existe condições de manter o funcionamento normal das unidades hospitalares do País, a título de exemplo o centro de Hemodiálises de Benguela e Lobito, correm o risco de encerrar, por causa das dívidas que contraíram com os fornecedores, então isso é um problema, significa que quando esperávamos que o sector ds saúde fosse resguardado pelo efeitos da crise, e isso não está a acontecer no entanto continuamos a assistir as situações para o sector da saúde que muito precária.

A mortalidade por malária, que fez muitas vítimas nos meses de Fevereiro, Março, Abril, esta diminuiu, mas a custa da imunidade natural que as pessoas foram adquirindo, contra este tipo de plasmódio. Mas o surto de febre amarela não esta controlada, os dados do governo, no meus ponto de vista não são subnotificados, apontam já a cerca de 300 mortes por febre amarela, mas eu acho que o caso deve ser maior do que este, o que eu estou a dizer que não esta controlado é o surto de febre amarela, porque a partir do topo de Angola pode-se expandir para muitos outros países das regiões tropicais que têm o mosquito.. então isto deve-se constituir numa preocupação Internacional, há um caso de febre amarela que foi contaminado aqui e que foi notificado na China, deste ponto de vista é isso que está a provocar esta preocupação da Comunidade Internacional. Mas dizia que a situação de uma forma geral continua precária.

RA – Segundo a voz da América, um artigo que foi publicado alguns dias atrás, a Organização Mundial da Saúde divulgou um relatório bastante preocupante, eles dizem que Angola tem o maior índice de mortalidade do Mundo, c0mo podes justificar essa informação péssima?

ML – Exato, na verdade Angola vem a registar o maior índice de mortalidade materno a muito tempo, esperava-se que com o crescimento económico registado na última década se pudesse efetivamente inverter essa tendência, mas a verdade é que Angola continua a ser um dos piores países do mundo para uma criança nascer e crescer, tem poucas chances de sobreviver dada as sucessivas mortes infantil no país. Significa que os ganhos do crescimento económico que angola registou na última década, não foram transferidos para os sectores sociais, falo da Saúde e da Educação, não temos saúde de qualidade, muitas pessoas não conseguem ter acesso ao sistema de saúde, como podemos falar também do sistema de ensino, há poucas crianças no sistema de ensino e mesmo aquelas que eventualmente tenham, não beneficiam do ensino de qualidade.
Em resumo o crescimento económico dos Estados, Angola tem GDP grande para um país como o nosso, o crescimento económico registado na verdade não foi investido nos sectores sociais e isso explica o índice de precário que temos nestes sectores, na verdade nós temos o índice de desenvolvimento humano ainda muito baixo.

Nós temos as piores estatísticas do mundo, ninguém acreditou de maneira nenhuma nesse dado do científicos e divulgado sobre a esperança de vida, foi uma tentativa de vida, os dados a espectativa da OMS, relativo a esperança de vida é muito mais fidedigna do que os dados apresentados pelo senso, sem dúvidas, quanto à isso não tenho duvida nenhuma.
É o nosso verdadeiro problema, é um modelo de governar que tenta pintar uma realidade que certamente não existe, e se o diagnóstico que os governantes fazem da situação do País é irrealista é óbvio que nunca vão chegar a solução que se presta a realidade, por isso é que nós continuamos a rastar estes problemas por muito tempo, porque esse modelo de governar que aceita na mentira escandalosa muitas das vesses, esta-se a perpetuar e assim nunca encontraremos as soluções.
Com base a isto deixa lhe dizer por exemplo, nem mesmo o problema do lixo em Luanda se consegue uma solução, a questão do lixo que é uma questão elementar e se não se resolve o problema do lixo é evidente que a situação sanitária de Luanda e das principais cidades do País vão não vão ser boas, o problema esta ali.

RA – Qual é o Seu ponto de vista, será que a corrupção também pode ser atribuída, como elemento principal da taxa de mortalidade infantil alta que se vive em Angola e os serviços de Saúde e educação com qualidade?

a aposta séria nos cuidados primários de saúde, isso significa fundamentalmente que deveríamos desenvolver um conceito do centro de saúde, o centro de saúde devia ser a unidade de referência do sistema de saúde de onde se irradiam todos os programas de saúde que o governo tem, isto é programa de saúde materna, de saúde infantil, de vacinação, de educação para a saúde, tudo devia partir dos centros de saúde.
Os níveis terciários e secundários do sistema, estes devem ser considerados sim, mas têm de considerar outra forma de financiamento, mas o investimento encencial para financiar o sistema de saúde deve ser na rede primária de saúde, e não é isso que é feito, prefere-se construir hospitais Municipais porque é a forma que permite os governantes receber os charus das comissões e por ai vai, mas depois você tem um hospital Municipal construído, depois não tem médicos, não tem enfermeiros, não medicamentos, não tem equipamentos, adequados, neste sentido é uma gestão ruinosa que se espera e é por ali que corre a corrupção, o problema maior não é naquela corrupção de que todo mundo fala, todo mundo ataca, enfermeiro ou seja o pessoal de saúde que muitas das vezes pede dinheiro, no hospital e muito mais, é verdade que essa forma de corrupção, que eu chamo de corrupção pequena é prejudicial, sim é prejudicial para os doentes, mas não é esse o principal mal.
O principal mal é a alta corrupção dos governantes que por causa da corrupção investem em errado, em infraestruturas, temos o caso por exemplo do hospital geral de Luanda, que foi construído e um ano depois teve de ser derrubado e ser construído de novo, a corrupção é um problema sério, que contribui para o Estado que se encontra, é o caso por exemplo no domínio das infraestruturas, nós temos estradas que foram construídas à 5, 6 anos atrás e que hoje estão intransitáveis, por causa da corrupção as obras foram mal feitas e hoje para recuperar a rede viária vamos ter que gastar o dobro do dinheiro que gastamos à pouco tempo, quando as estradas deviam durar 10, 20, 30 anos, não fizeram mais do que 5 anos.

Entrevista conduzida por Florindo Chivucute

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