Rádio Angola (RA): Horas antes do ataque contra a comitiva parlamentar da UNITA na comuna da Kapupa ao município de Cubal, o grupo parlamentar da UNITA organizou encontro com a Comunidade em Benguela no mesmo dia (24-05-2016), intitulado “Os Desafios para Um Desenvolvimento Integrado.”
Vamos entrar fundamentalmente nestas matérias, digníssimos, eu lho para a sala e eu penso que nós temos nesta sala fundamentalmente pessoas que vão dos dezassete anos talvez aos 25, 30 anos, estudantes na sua maioria e significa que alguns poderiam nem sequer alguns terem nascido em 1992, ano em que realizamos as primeiras eleições, e este aspecto é sério sobre os nossos ombros, sobre os ombros de todos.

O que é comum diz-se de que o Dr. Savimbi fez a guerra porque não aceitou os resultados das eleições, com os jovens e com os Estudantes nós temos de ter o hábito de abordar as coisas com transparência, o Dr. Savimbi também tinha as Suas responsabilidades que era compartilhada com outras de outros, também aqui podíamos fazer um grande mergulho sobre as razões, mas, onde eu quero chegar é que também fomos formatando uma experiência.

Em 2008, a UNITA teve uma enorme dificuldade de se pronunciar sobre os resultados eleitorais, porque nós de facto tivemos eleições com cabines de votos de papelão, sem cadernos eleitorais e com anúncios dos resultados de muitos sítios antes da contagem, portanto, aconteceram muitas coisas complicadas, mas nós olhamos para nós e dissemos nós não podemos passar a viva a recusar resultados eleitorais, ou a dizer que recusaram por isso é que não ganharam, provavelmente esteja a dizer aqui algo que é nova para alguns, mas foi difícil para nós engolirmos os sapos todos e fizemos uma declaração Pública à aceitar de imediato os resultados eleitorais, os mesmos que foram realizados com papelões, sem cadernos eleitorais e mais, mesmo conscientes da fraude nós aceitamos os resultados das eleições, queríamos dar uma oportunidade à sociedade de tirar o trauma de eleições conquistadas e também como convite à uma sociedade a outra, com responsabilidades de passar abrir um pouco à sociedade porque nós somos de opinião que a estabilidade política tem tudo a ver com as formas como se realizam as eleições particularmente em África, muitos dos grandes problemas de instabilidade que depois trazem o subdesenvolvimento, falta de tantas questões, guerras, derivam muito da cultura do poder ou da falta de respeito pelos principais universais democráticos e de transparência da organização eleitoral.

Chegamos a 2012 fizemos a transparência eleitoral e esta também foi complicada, lembro-me que na manhã das eleições não tinha boletins de votos, na sua maioria dos delegados de lista não tinha o credenciamento, dou-vos um exemplo a UNITA tinha cinquenta mil (50.000 delegados de lista) no País e credenciados estavam mil e cem à mil e duzentos apenas (1.100 à 1.200 delegados). Treinados, com dinheiro gasto, com muito investimento e de facto o processo não foi bom, não foi transparente.

Assim, chegamos aqui para dizer que vamos de novo fazer as eleições em 2017, estamos todos maduros, todos convictamente a abraçar as regras da transparência e da democracia, estamos a organiza-las bem.

Assembleia Nacional fez um debate a volta disso o ano passado dentro daquilo que seria a nossa responsabilidade, o nosso papel e na Assembleia Nacional em Maio de 2015 foi votado um plano, chamado plano de tarefas essenciais para a realização das eleições gerais e Autárquicas.
Nós temos uma má cultura de participação no nosso País, dito doutra maneira, o problema de sermos cidadãos partícipes ou seres a margem, na periferia da nossa vida, e depois exigirmos condições, qualidades e reclamarmos quando não participamos, o que eu dizia um mal hábito resulta também da nossa herança histórica, foi uma herança histórica pesada, nós samos um País que provavelmente deve ter tido a guerra mais violenta no continente africano, penso eu, tecnologicamente sofisticada, muito longa, tivemos aqui todo tipo de exércitos, Russos, Cubanos, Franceses, um pouco Ingleses, Vietnamitas, Checos, Americanos também, Sul-africanos, vejam la esta história toda, e a guerra sempre absorve os seus melhores filhos, fomos capazes de acabar com a guerra, foi um exercício extremamente complexo, mas bem-vindo o fim da guerra e dizer que ela não nos foi oferecida, muita gente diz que a Paz nos foi oferecida, é mentira e condiz com a verdade, eu fui representante junto ao Vaticano – Itália e trabalhei anos seguidos para fazer esta Paz que temos hoje, fui um dos mais direcionado la na primeira linha que negociou anos e anos com a ONU, com o governo angolano, com a Igreja, com alguns Países, esta Paz não veio com a morte do Dr. Savimbi, porque eu dias meses, semanas e anos mandatado pelo Dr. Savimbi para negociar esta Paz, e antes do Dr. Savimbi morrer a Paz já estava concluída pela negociação, essa negociação que foi concluída em Novembro de 2001, portanto, é história isso, não estou a dizer pela primeira vez, quando fez um ano de Paz eu assinei um artigo no Semanário Angolense, estou a dizer aqui em voz alta, para os senhores saberem, de três páginas, onde eu detalhei o caminho da Paz que nós tínhamos adquirido.

Para esta Paz nós tivemos muitos intervenientes, é uma vontade clara do governo, da UNITA e de muitas Instituições que nos ajudaram a formatar esta Paz, é importante saber enquanto história, o artigo publicado nunca foi contestado e não pode ser contestado, é a verdade histórica, nós em Angola precisamos que os historiadores um dia venham fazer a história, os Políticos deixem de fazer a história, porque eu estou a dizer o que estou a dizer e vocês podem dizer ele é político, ele esta a puxar a brasa para a sua sardinha, podem sim, têm o direito de questionar a veracidade das minhas palavras e serão sempre os investigadores, académicos, que com os métodos académicos vêm fazer a sua investigação e vão escrever a história futura, a verdadeira história vai sair daí, de qualquer maneira o que eu quis dizer e eu estou ainda a falar do processo eleitoral é que nós com a proximidade do fim da guerra estamos mal condicionados com os efeitos da proximidade da guerra, hoje estamos mais distanciados.

Fonte: RA
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