Rádio Angola: Tivemos o privilégio de entrevistar a Senhora Gina Micolo, esposa do Jovem Nelson Dibango, ativista do Processo dos 15+2 que continuam preços até hoje… Muito obrigado por ter aceitado o convite da Rádio Angola.

Nós a convidamos para falar sobre o seu esposo, certamente que encontra-se preço já a um bom tempo sem provas concretas, gostaríamos de saber como é que esta o Nelson Dibango?

Gina Micolo (GM): O Nelson Dibango neste momento esta praticamente tenso porque voltou ao mesmo nível como no princípio, as coisas apertaram mais, a revista, a comida é amassada, isso esta a nos criar muitos transtornos na mente é muito complicado, nós vamos pra lá somos revistados até nas vestes interiores, então isso faz com que entremos em choque com os funcionários de la e está a ser muito chato.

RA: Senhora Gina estas revistas que a senhora acaba de se referir é feita por homens ou por mulheres?

GM: É feita por mulheres…

RA: Elas pedem para tirar a roupa toda, mas isso não deixa de se um incómodo?

GM: Sim, não deixa de ser um incómodo, porque elas fica a palpar se nós levamos alguma coisa diferente, se é que levamos droga ou telefone, qualquer coisa, que também não sei o que andam a procurar, sabendo que este é um casso já conhecido, são as mesmas pessoas, não mudaram, só não sei o quê que aconteceu para começarem a agir do jeito que estão agir.

RA: Eles tinham mudado deste comportamento, desta atitude, deste tipo de revista?

GM: É assim, no princípio da cena nós íamos pra lá e eramos revistadas o quê que estamos a levar a comida era totalmente picada com um garfo, com uma faca, picando a comida para ver se é que há alguma coisa diferente dentro ou no fundo da tigela, mas depois disso, mudou, depois de estarem em prisão domiciliar, mas assim que voltaram novamente à cadeia, tudo mudou, nós íamos pra lá, a revista era feita na presença do recluso viam não tinham nada que amaçar a comida, mas agora essa situação ontem nós fomos pra lá aconteceu a mesma situação, como no princípio, não dão tempo suficiente da pessoa poder conversar com recluso, há sempre um segurança por trás, é complicado.

RA: Como te sentes Senhora, é humiliante ou apenas é um incómodo, como descreve essa experiência?

GM: Isso é humiliante, até que eles têm o detentor do metal e podiam usar muito bem isso, mas não usam, é mesmo humiliante, é uma humiliação que nos estamos a passar, a pessoa sai de la estressada, tem filhos, já não sabe como cuidar, como sustentar os mesmos, atendendo a situação que o País está a travessar, o marido preso, os filhos têm de estudar, têm de ir para cresce, alimentação, sei lá, são montões de situações que tenho de atender e fica muito difícil para mim.

RA: Senhora Gina quantos filhos você tem e que idade eles têm?

GM: Eu tenho dois filhos, o Nelson quando foi preso eu tinha acabado de sofrer uma sizeriana e que tinha me esquecido, com prensa na barriga fiquei com aquilo durante um mês e alguns dias, a sorte é que o Nelson ainda estava aqui e conseguiu levar-me a Clínica e fizeram uma cirurgia, depois daquilo antes de completar um mês é quando ouvi que o Nelson foi preso, eu até não estava na minha casa, estava na casa da minha mãe, onde passei o repouso, então, é quando o meu sogro ligo para mim dizendo que o Nelson foi preso, numa primeira fase pensei que foi por causa da confusão que ele tinha feito na maternidade, mas quando escutei que não era nada aquilo, é porque estavam para fazer um golpe de Estado, achei muito estranho, são dois filhos, um tem dois anos e o outro tem um ano e um mês.

RA: Eles têm perguntado pelo Pai?

GM: Principalmente o mais velho, o menor por não saber falar, mas o mais velho é que esta sempre a pedir a presença do Pai, dizendo “me leva no pai” eu falo para ele de que não será agora, tenho de fazer um pedido la para te fazerem entrar, mas me leva só mama estas a ser uma mentirosa, eu disse a ele de que o pai esta no hospital, mas ele ouviu nos amigos dele de que o pai esta preso, e me pergunta o quê que o papa fez, eu tenho de explicar da minha maneira, porque seria humiliante para o rapaz, porque de qualquer maneira iria procurar saber o quê que ele fez.
RA: Senhora Gina Micolo para aqueles que não conhecem o Nelson Dibango, podes explicar aos nossos ouvintes quem é o Nelson Dibango de uma forma breve, sua forma de ser, particular?
GM: O Nelson… Custa-me acreditar que sertãs pessoas empurram ele contra a espada e a parede, pensando mesmo que ele fez isso ou queria dar um golpe, o Nelson é uma pessoa muito calma, quem conhece o Nelson, não gosta de problemas, se assim for ele primeiro gosta de ouvir e assim aturar, conversar é o que ele mais sabe fazer, ele nunca esta triste, esta sempre ali disponível para ajudar, mesmo la onde na cadeia ele é que mais nos da força, ficam calmos… ficam calmos…

RA: O quê que o Nelson Dibango fazia antes de ser preso pelo governo angolano por razões não claras até hoje?

GM: O Nelson é estudante do 3º ano da Faculdade de Psicologia, mas já estava a dois anos parado por questões económico-financeira, mas ele é de bem, está aprovado em comunicação e Imagem, publicidades, entre outros.

RA: Eu sei que as famílias dos 15+2 foram até ao tribunal Constitucional, nos pode dizer qual foi o resultado da visita no TC e porque que vocês foram ao TC?

GM: Nós fomos ao Tribunal Constitucional porque sabíamos que lá tinha um recurso, recurso esses que era o recurso do Epíscopo, se eles estão injustamente presos e o tribunal pediu, anularam o julgamento que é para decidir e já está há 45 dias, nós fomos la para saber porquê que ainda não responderam, como é que está o processo, mas quando chegamos lá ouve uma certa morosidade no atendimento para mais tarde o Juiz disse-nos que batemos a porta errada porque o documento não se encontra lá e dizer-nos que um dos nossos advogados retirou de lá o processo que é para levar no Tribunal Constitucional, mesmo que fosse uma criança não acreditava nisso, até que nós somos mais velhos, nenhum advogado tem a competência de pegar um processo daqueles que esta no Tribunal Supremo para levar num outro Tribunal.

RA: Qual será o próximo passo senhora Gina, vão fazer uma outra visita para saber do paradeiro deste processo ou já têm uma resposta do paradeiro do mesmo?

GM: Já que nos disseram que batemos a porta errada, então nós vamos bater a porta certa, se é a porta certa onde esta o documento, estamos a pensar ir para lá Terça-feira ou Quinta-feira, mas, a princípio ficou mesmo pra terça-feira.

RA: A Senhora Gina tem confiança na Justiça angolana?

GM: O que eu estou a ver é complicado acreditar que no nosso Pais tem e há justiça, porque eu sei do que eles estão a fazer é algo errado, eu sei que eles não fizeram nada, então fica complicado crer que a justiça esta ser feita, é complicado acreditar que a justiça angolana está a funcionar.

RA: Para terminarmos, tens algo a dizer para os nossos ouvintes, para a comunidade angolana ou internacional sobre esta situação desagradável que estão a passar?

GM: O que eu tenho a dizer é que estamos a sofrer, não só eles que estão la preso, nós os familiares eu principalmente como esposa, mãe dos filhos, nós precisamos haja e que esta liberdade aconteça e peço a quem é de direito, que tem essa competência, que a justiça seja feita, porque não só a detenção deles, mas também por causa da crise que está a solar todos angolanos, não temos emprego, não temos como nos virar, ainda mais com os maridos presos, a situação esta muito grave do nosso lado e não sabemos mais como sustentar isso, principalmente para mim que não tenho casa, estávamos a lutar que é para construir a nossa casa, mas com isso eu não sei o que fazer, peso favor, se dá para fazer alguma coisa, então que façam, penso que é tudo.

Entrevista conduzida por Florindo Chivucute:
http://www.blogtalkradio.com/radioangola/2016/06/14/uma-humilhao-que-nos-estamos-a-passar-esposa-do-ativista-nelson-dibango

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