Rádio Angola (RA): Simão Hossi correspondente da RA em Luanda, teve o previlégio de entrevistar varias pessoas da comunidade LGBTI em Luanda. A Comunidade LGBT esteve reunido em festival, nos dias 2 e 3 de Julho no Bar JAFIMEX Rangel, em comemoração ao dia do orgulho Gay, que se assinala em todos os dias 28 de Junho em todas as comunidades existentes no Mundo.

Por iniciativa da Organização IRIS, que simboliza uma Deusa Grega, liderado por Carlos Fernandes, em parceria com a AYA, que simboliza a planta que cresce em qualquer lugar, representado na entrevista por Erickson de Carvalho, que para comemorar o 28 de Junho e por não haver condições em se organizar uma Parada Gay em Angola, pensaram o Rangel, por ser a zona da Cidade de Luanda que concentra um número maior dos membros da Comunidade.

O Festival que vai já na sua—–edição, realizou-se com o lema: FESTIRIS- “Orgulho Comemora-se todos os meses”, o espaço ofereceu aos visitantes, membros da comunidade atividades como: música, dança, palestras, debates, cinemas, moda, e outras atividades sobre o mundo LGBTI, dando assim a oportunidade aos visitantes e não membros da comunidade um melhor entendimento sobre a luta da comunidade e os direitos humanos desta população que a muito foi marginalizada e descriminada perante a sociedade.
O 28 de Junho se tornou visível e comemorável em 1969, em Nova Iorque, quando então na altura, um grupo de homossexuais cansados, de apanhar da polícia local, que invadia todas as noites o seu espaço de lazer, em um Bar chamado StoneWall, por causa do peso do preconceito na época, estes por ser constante reagiram contra a violência policial, dando estes vencidos a batalha contra a polícia.

A rebelião de Stonewall resultou em um conjunto de conflitos violentos que começou exatamente no dia 28 de junho e que durou vários dias. Stonewall foi o marco por ter sido a primeira vez que um grande número de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais se juntaram para resistir a maus tratos para com a sua comunidade, e é hoje assim o orgulho em todo o mundo e motivo de celebração do orgulho LGBTI.

Carlos Fernandes em entrevista diz: que a ideia surge para comemorar o dia do Orgulho Gay e por não haver ainda condições de se organizar a “Parada Gay em Angola”, então estes decidiram fazer algo mais cultural com a comunidade, e aos que se identificam com a causa, questionado se o País ainda não oferecia condições para a realização de uma “parada gay” Fernandes respondeu ser necessário dar-se tempo e trabalhar na educação, sensibilização e quebrar alguns tabus com a homossexualidade, para depois pensar em uma parada de facto.

A IRIS, existe a 3 anos e trabalha essencialmente na defesa dos direitos da comunidade LGBTI, ela estão já num processo burocrático de forma a verem ser legalmente constituído visto que tem uma boa relação e a comunidade é reconhecida pelo Governo no caso o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos e que os tem apoiado, quando assim surge a uma suposta situação de agressões físicas estes têm colaboração com a AJPD e o Ministério da Saúde.

Faltando somente o estreitar de uma boa relação com a Policia Nacional e o Ministério da Juventude e Desporto, Carlos não deixou de condenar aos ataques que a Comunidade em Orlando EUA sofreu numa Discoteca, onde foram vitimados mais de 50 membros da Comunidade local.
A Brasileira Eleonora Pereira, Coordenadora nacional da ong: “Mães pela Igualdade”, uma organização existente a 5 anos, que surgiu através de um movimento de mães após a morte de seu filho em que muitos membros da comunidade local, foram assassinados e as mães disseram basta viver do medo e continuarem a ver os filhos a morrer sem que as mesmas pudessem fazer nada.
Na sua apresentação passou a experiencia das Mães pela Igualdade, e de falar da sexualidade da população LGBTI, Leonora está em Angola através de projeto Linkding que trabalhará com as mães dos membros LGBTI em Angola. Para a consultora a criação do Relatório por parte da ONU a próxima semana vai dedicar-se a produzir relatórios, estudos sobre a situação de violência da população LGBTI no mundo é um grande ganho, de formas a se ter as estatísticas sobre o assunto no Mundo.

Já António Coelho, Coordenador da ANASO, uma Rede de Organizações que trabalha em questões do VIH-SIDA, presente no Festival como parceiro, afirmou que é altura de deixar de excluir a população LGBTI, por estes terem o seu próprio espaço e, os seus direitos na sociedade tendo na ocasião incentivado que estes possam continuar a lutar pelos seus Direitos, e enquanto a sua organização tem estratégias próprios para contar com a colaboração e o contributo das ações que a comunidade vem desenvolvendo em prol dos seus Direitos fundamentais.

A ativista da comunidade Imanni da Silva, chamada a dissertar o tema com o título: “Identidade de Género e Orientação Sexual, afirmou que atividades do género é muito importante para ajudar fazer crescer as ações da comunidade e a luta pelos direitos dos homossexuais, lésbicas é um direito humano, ajudar os membros da comunidade em auto aceitarem já é uma grande coisa para com que estes por sua vez possam exigir mais dos seus direitos e não é crime e que não devem viver no medo de assumirem-se sobre as suas orientações ou opções sexuais.

Para Imanni, a família tem uma grande responsabilidade perante a sociedade, isto é, em aceitar os seus filhos e posteriormente fazer com que a mesma sociedade aceite, os direitos das minorias sexuais e, a informação é apontada como um dos grandes meios a utilizar nas famílias de forma a ajuda-los no entendimento e respeito as diferenças que elas trazem para a nossa sociedade.
Da Silva, viveu no exterior por alguns anos e na sociedade que esteve inserida permitiu com que ela encarasse a sua identidade de género com toda a normalidade, assumindo-se como travesti, ela hoje é também consultora de uma organização não-governamental norte americana, a Linkages, onde estão engajadas em uma campanha com as minorias e suas famílias de forma a levar a informação e permitir com que a sociedade comece a olhar com olhos de ver aos espaços privados que as pessoas gays, lésbicas, travestis e transexuais possam ter os mesmos direitos e deveres, tal como é previsto na Constituição da República de Angola.

A ativista espera que daqui a 10 anos os membros da Comunidade sejam vistas como pessoas normais e que os aspetos sobre identidade de género seja visto com menos tabu, e que a sociedade tenha mais respeito as minorias sexuais e, ver estes de igual modo sem preconceitos de raça, cor, e etnia, porque todos os cidadãos são iguais perante a lei, segundo a CRA de 2010.
Enquanto Erickson de Carvalho, membro da organização que coorganizou o festival, lembrou que somente foi possível celebrar o dia do orgulho gay nos dias 2 e 3 porque a data chocava com as atividades laborais, que dia 28 foi no meio da semana, De Carvalho pensa que a comunidade LGBTI gozam de um certo respeito em algum segmento da sociedade e que as piores violências que se tem registado são as violências verbais do que físicos.

A AYA, tem como foco a educação sobre a homossexualidade e fazer entender o que é ser gay, lésbica, e outros a nível das escolas e outras instituições que se mostram acessíveis a causa, Erickson pensa que a não existência de uma lei especifica pode ser um dos grandes motivos de inibição das suas ações, pois este garantiu que deve dar-se o tempo ao tempo, por causa da questão cultural que a sociedade e também acha que Angola esta muito melhor no que diz respeito a violência no seio da Comunidade, comparando com o Uganda, Brasil e outros Países que tem tido mais violência contra as minorias.

A IRIS, junto com os seus parceiros vão continuar na luta pelos direitos da Comunidade LGBTI em Angola e pensa em estender as suas ações em outras partes do País para além da Província de Benguela que já tem um núcleo seu que os representa, tal como as atividades que regularmente tem tido nos finais de semana no Elinga Teatro. Já que em termos de legalização estão a caminhar bem, segundo afirmou o responsável da organização Carlos Fernandes, apesar de não haver maturidade política por parte da Comunidade de forma a enviar uma proposta de lei ao parlamento de forma a legislar sobre esta matéria, tal como afirmou Erickson.

A AYA, pensa em continuar a organizar iniciativas do género e ver tornar estas iniciativas algo constante e se inserir cada vez mais na sociedade angolana, e lutar sempre para conquistar o seu espaço, tal como acontece com outros grupos minoritários que temos no Pais, ideia corroborada pela Imanni da Silva que tem o mesmo desejo.

Oiça na íntegra, a entrevista conduzida por Simão Hossi: http://www.blogtalkradio.com/radioangola/2016/07/11/rangel-acolhe-festival-lgbt-nos-dias-2-e-3-de-julho

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