Rádio Angola (RA): Tivemos o privilégio de entrevistar o Senhor Osvaldo Franque Buela “Chefe do Gabinete do Presidente da FLEC – FAC para falar sobre a situação político-militar em Cabinda.

RA: Senhor Buela nós, gostaríamos que nos esclarecesse algumas questões que têm estado acontecer em Cabinda, nos referimos dos recentes ataques que entre a FLEC e as Forças Armadas de Angola. Nos pode dizer se esta é a nova estratégia da FLEC já a mesma está com uma nova liderança?

Osvaldo: Bem, diríamos que o que está acontecer em Cabinda nestes últimos tempos, não se trata de uma nova estratégia, mas a FLEC continua a se defender, porque cada vez mais à provocações por parte das FAA (Forças Armadas Angolanas), não respeitam a trégua que a FLEC-FAC lançou a quando do falecimento do Presidente Vitorino Tiago, portanto, a FLEC está no terreno, continua a defender as suas posições, não se trata de uma nova estratégia, mas continua sempre a defender as aspirações do povo de Cabinda, o MPLA continua a ocupar Cabinda, continua a maltratar a população, continua a impedir as pessoas para irem nas suas plantações, na caça e nós só estamos numa posição defensiva e vamos continuar a defender.

RA: Sei que a liderança da FLEC lançou um apelo ao Presidente José Eduardo dos Santos no sentido de poder ter um encontro, para ver se é possível a solução pacífica da situação de Cabinda, o Presidente dos Santos já respondeu?

Osvaldo: Bem, os pedidos foram sempre enviados desde a era do Presidente Domingos Tiago, nunca ouve resposta clara por parte de Angola, o que existe é a arrogância, são ataques, são detenções arbitrárias de cidadãos livres, portanto, aquando a morte do falecido Nzita Tiago, o Emanuel Nzita em vida agradeceu ao povo, falou aquando a Sua mensagem que o problema de Cabinda deve deixar de ser o problema do MPLA unicamente com a FLEC, a problemática de Cabinda para se poder encontrar uma boa solução deve abranger todas sensibilidades de Cabinda e também toda sociedade civil angolana, Partidos Políticos na Oposição, portanto, deve ser uma prioridade Nacional para encontrar uma Paz duradoura, uma solução que dignifique todos Angolanos.

Portanto, essa é a nova visão, quanto aos apelos, as portas estão abertas, a FLEC sempre está pronta para dialogar, só que por parte dos angolanos, o MPLA nunca deu, nunca mostrou boa vontade.

RA: A comunidade Internacional tomou nota dos últimos ataques em Cabinda onde mais de 40 soldados das FAA foram mortos, Pode confirmar a esta informação?
Osvaldo: Conforme viram no comunicado do Auto Comandante Militar e todos os dias acontece algumas escaramuças, algumas emboscadas, algumas provocações das FAA, portanto, os factos são reais e penso que o governo angolano já não tem condições de esconder a guerra em Cabinda, já não tem condições de esconder tudo aquilo que se passa em Cabinda, toda hora Helicópteros a patrulharem, drones a voarem a noite, colunas militares à avançarem para Maiombe, as operações estão acontecer de um momento para outro, cada vez mais a surgirem mortos, portanto a situação continua a mesma.

RA: Também ouve mortos por lado da FLEC, durante estes confrontos?
Osvaldo: Pelo tempo que começou nestes últimos meses, já registamos dois mortos e um ferido.
RA: Como o Senhor caracteriza a situação decorrente em Cabinda?
Osvaldo: A situação decorrente em Cabinda é grave, cada vez mais a piorar, alhas, penso que ouviram o António Bento Bembe a reconhecer que os sinais do subdesenvolvimento em Cabinda já estão visíveis em contradição com aquilo que a Senhora Governadora tem dito que há desenvolvimento, mas o próprio Presidente do fórum já reconheceu que o memorando trouxe a Paz nem o desenvolvimento esperado, é um fiasco é uma palhaçada, uma vez que o Estatuto não produziu aquilo que devia produzir, as políticas não foram implementadas, tudo quanto se faz em Cabinda é da autoria do governo central, portanto, o memorando não resolveu nada, a situação continua a mesma, caótica, não há medicamentos nos hospitais, a educação esta em péssima condições, o nível de desemprego esta sempre a aumentar, com a crise, para poder comprar um saco de arroz é preciso fazer-se acompanhar de alvará, não há liberdades sindicais é uma situação bastante triste para o povo que queremos que sejam angolano, o governo continua a não dar nenhuma consideração aos cidadãos de Cabinda.
RA: A FLEC fez sair um Comunicado em relação a segurança dos Estrangeiros. Sobretudo aqueles que trabalham nas companhias Petrolíferas, vocês aconselharam abandonar?
Osvaldo: Sim, para dizer que os estrangeiros que trabalham nas companhias petrolíferas de cabinda nunca tiveram um contacto com a população, uma abordagem, são vedados no Malongo, dos poucos que circulam ali são os Chineses que fazem fotocópias, Chineses venderem Micate ou bolinho, penso que a situação destes estrangeiros é de que as suas próprias companhias devem acautelar, aconselhar a circulação no Maiombe, a circulação nos caminhos do Maçadi, para estas categorias dos estrangeiros, portanto, já sabem, Cabinda é um território em guerra então não se pode garantir a segurança desses estrangeiro, devem tomar cautelas, medidas para proteger os seus empregados.

RA: O Senhor aconselharia saírem de Cabinda por razões de segurança?
Osvaldo: Os que estão no terreno podem confirmar isso, eu não posso confirmar, se o Auto Comando decidir assim é a melhor coisa que podemos fazer.
RA: Em Cabinda tem havido muitas queixas em relação as violações dos Direitos humanos, me refiro a circulação de pessoas e bens, qual é a posição da FLEC quanto à esta questão?
Osvaldo: Nós lamentamos bastante, porque se Cabinda realmente no coração dos angolanos faz parte de Angola não podiam existir o que acontece em Cabinda, as violações dos Direitos Humanos são constantes e graves, não há liberdades sindicais, liberdades de expressão, liberdade de manifestação, não há liberdade à nada, e esta situação as ONGs devem velar por isso, já chamamos atenção mas até aqui não há nada, continua na mesma, é muito triste do que tem acontecido em Cabinda.

RA: Senhor Buela acha que o governo angolano irá retalhar contra a FLEC, pelo facto de ter havido essas mortes por parte das FAA?
Osvaldo: As retalhações por parte do governo angolano são frequentes, todos os dias acontecem, vocês sabem que já foram matar quatro oficiais da FLEC na Ponta Negra, pessoas não Armadas, que foram para fazer o tratamento foram raptados, torturados e mortos, portanto, com o MPLA é isso já não se chama retalhação, ele sempre mata, caça, tortura, raptam até os inocentes acontece com os mesmos, já não se pode tratar de retalhação, mas sim são claros assassinatos, caça ao homem, é uma barbaridade, é uma política brutal, aquilo parece o Nazismo.

RA: Senhor Buela neste momento é sabido que a FLEC tem uma nova liderança, após a morte do Histórico fundador da FLEC, o Senhor Nzita Tiago, como é que caracteriza essa nova liderança, quais serão as prioridades da mesma?

Osvaldo: As prioridades dessa nova liderança continua na tarefa da restruturação do Burrou Político o Movimento, das representações a nível da Europa, do próprio Auto Camando Militar que já está em curso, já se organizou, a prioridade é a restruturação interna, prosseguir a nossa luta Político-diplomática para encontrar uma solução para o caso de cabinda, essas são as prioridades que temos neste momento, sem cruzar os braços, vamos continuar a nos defender no terreno cada vez que as forças Armadas Angolana se aproximarem das nossas posições, cada vez que haver provocações por parte das mesmas.

RA: O diálogo continua a ser uma prioridade para a FLEC na perspectiva de encontrar uma solução pacífica?

Osvaldo: Geralmente os problemas só podem ser tratados por intermédio do diálogo, sem o diálogo não é possível e não pode haver outra saída, então a solução continua e continuará a ser o diálogo, por isso nós apostamos no diálogo como solução não pela guerra nem pela força das armas, o diálogo e a força da razão são os caminhos essenciais para nós.

RA: Tal como o Senhor Buela já fez referência, o governo não tem respondido ou seja o Presidente nunca se pronunciou de uma forma aberta em relação a este convite, tanto a liderança anterior como a nova, têm feito perspectiva de dialogar e encontrar uma forma pacífica, mas a nível local tem havido um diálogo com o governo provincial de Cabinda e a FLEC ou mesmo membros do governo angolano?

Osvaldo: O problema de Cabinda não pode ser resolvido a nível do governo local, ou provincial de Cabinda, o governo local são servidores do governo angolano, penso que para nós a solução passa pelo governo de angola, pelos Partidos Políticos, pela sociedade civil angolana que deve se pronunciar sobre a solução de Cabinda e talvez por um diálogo abrangente, que venha abranger todas sensibilidades da sociedade civil de Cabinda, portanto, esse é o único caminho, mas com o governo da Província não te mos nada a ver.

RA: Podes nos explicar quem é o novo Líder da FLEC?

Osvaldo: O novo líder da FLEC, Sua Excelência presidente Manuel Nzita, não é uma pessoa estranha dentro da FLEC, começou muito Jovem, servia na base, já foi Embaixador Itinerante, já foi Secretário-Geral, participou nos preparativos de vários encontros, sempre esteve ao lado do Pai, portanto não é uma pessoa estranha no seio da FLEC, conhece bem os dossiês, conhece bem os maquis, é conhecido pela tropa, é uma pessoa bastante aberta, dinâmica e capaz de levar a FLEC e atingir os seus objectivos, gosta de trabalho.

RA: Senhor Buela Gostaria de deixar uma palavra antes de terminarmos o nosso programa de hoje?
Osvaldo: Penso que a única palavra que posso deixar, tanto para o povo irmão angolano, assim como o povo de Cabinda, pactuar pelo diálogo, o diálogo é que pode nos levar a encontrar soluções pacíficas, solução condigna, sem que seja uma solução de uma Paz de vencidos e de vencedores, mas uma Paz de espírito, uma Paz baseada nos acordos inclusivos, essa é o caminho que podemos pactuar para encontrar uma solução duradoura em Cabinda, portanto essa é a minha última palavra, diálogo, diálogo, sempre diálogo.

RA: Nós agradecemos mais uma vez, Senhor Osvaldo Buela, por ter aceitado o nosso convite voltaremos a estar juntos nas próximas ocasiões com novas abordagens.

Ouça a entrevista da Rádio Angola, conduzida por Florindo Chivucute: http://www.blogtalkradio.com/radioangola/2016/08/13/a-paz-em-cabinda-s-pode-ser-alcanada-por-via-do-dilogo–dirigente-da-flec

Redação: Adão Lunge

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