Na busca de pontos de vistas para a análise e compreensão da realidade angolana, a Rádio Angola entrevistou Luiz Araújo. Ele foi fundador e Coordenador da SOS-Habitat. Por seu engajamento destemido e determinado foi perseguido. Teria sido morto pelo regime angolano. Tendo tomado contacto com informações confidenciais sobre a intenção do regime de Eduardo dos Santos assassiná-lo, migrou para Portugal.

Nesta longa entrevista, falou com serenidade e lucidez, sobre o actual estado do país. Propôs caminhos e pistas para a luta, com vista a resgatar Angola da ditadura.
Entre várias questões, analisou os partidos políticos, a sociedade, necessidade de estrutura e organização, a necessidade de unidade, entre outras.
Como diagnóstico inicial, afirmou que este quadro é fruto de raízes históricas de longa data. Remontou aos anos 60. “A situação política que o país vive hoje, é consequência de nosso percurso desde a década de 1960.”

Ao descrever a natureza do regime político angolano, Araújo foi claro de que não é uma democracia por estar sob tutela de um homem. Fez igualmente referência a outros aspectos que o áudio há-de espelhar. “Neste momento, o país vive a hegemonia de um homem sobre o Estado. A democracia em Angola é uma falácia total”, reafirmou a sua tese.

Para Araújo, esta ditadura da hegemonia de um homem, não só é perigosa no estado actual, mas ela torna-se mais grave. Para sustentar este a argumento, afirma: “A ditadura é cada vez mais crescente” Foi mais longe: “A ditadura de um homem leva mais tempo do que a ditadura do partido único que só levou 15 anos”

Questionado se ousaria comparar a colonização Portuguesa à actual, uma vez que muitos angolanos vão comparando. Luiz argumentou: “Há agora um endocolonialismo. O povo é servente como no tempo colonial”. Segundo ainda o entrevistado, não se pode dizer que a colonização é uma coisa boa, mas existem coisas daquela época que eram melhor, que na endocolonização. “Nunca direi que colonialismo português foi bom. Mas nota-se que hoje há abandono. Incúria. Hoje a situação social é pior”, disse.

Hoje, “há um desenvolvimento de apartheid. Há um desenvolvimento, não do povo, mas desta elite”.

Frases importantes durante os primeiros 40 minutos de entrevista:

“A relação do regime com a sociedade civil, mostra bem que isto é uma ditadura.”
“Está tudo visível. Já é primário tentar demonstrar que há aqui uma ditadura. Está muito claro”
“Lutar contra uma ditadura e exigir que a ditadura se democratize é um serviço que se pode prestar à ela. O que vemos agora é o aprofundamento e reforço da ditadura”

“Há riscos de muitos destes que dizem lutar contra a ditadura, reproduzirem a mesma coisa que o regime está a fazer”.

“A disputa pelo poder, continua entre aqueles que mataram-se entre si. A disputa continua entre a UNITA e MPLA”.

“Os desafios que eles perseguiram [UNITA e MPLA], estão abaixo dos objectivos e metas de hoje. As metas de hoje são mais nobres e elevadas”.
“Há uma incapacidade para estruturação. Não somos capazes de estabelecer a união”.
“Nós estamos numa situação complicada. Não vejo acção que nos pode juntar”.

“As organizações devem evoluir de acordo com as exigências da sociedade. O importante não são os símbolos”.

Ouça a entrevista na a íntegra da Rádio Angola, conduzida por Florindo Chivucute: http://www.blogtalkradio.com/radioangola/2016/08/15/temos-que-remover-a-ditadura-sem-remoo-no-haver-desenvolvimento-l-arajo

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