Rádio Angola (RA): Tivemos o privilégio de entrevistar o jovem músico e activista cívico Mensageiro Andrade a partir da província da Huíla.

RA: Mensageiro Andrade nos pode contar o quê que esta se passar contigo, refirmo-me sobre as perseguições que tens sofrido?

MA: Tenho estado a ser ameaçado de mortes, até agora as ameaças continuam, embora não estão a ser como tal, mas vão ligando, enviando mensagens, ligando para outras pessoas para me dizerem, agora usam outros meios para podem me atingir, vergonhosamente contam com a colaboração de algumas igrejas, que é a parte mais triste mas está a acontecer, bem, muitas das vezes quando estou a caminhar, encontro-me com pessoas que dizem ainda não morreste? E eu pergunto porquê que eu tinha de morrer?
Nesta empreitada, já não estão a ligar para mim conforme eles faziam, estão a procurar outros métodos no sentido de poderem a tingir-me, durante esta época toda eles começaram a fazer muitas investigações que tem a ver com a minha própria vida, procuraram fazer isso com a Igreja onde eu frequento, como; as Administrações entraram em contacto com a Direcção da Igreja que eu frequento, no sentido de poder convencer os dirigentes desta mesma Igreja, também, no meu ponto de vista sinto que alguns dirigentes da Igreja são do Partido, porque os mesmos não conseguem fazer a separação dos poderes, porque os líderes de algumas Igrejas têm certos cargos no seio do Partido (MPLA) e transportam os defeitos do Partido para a Igreja, estas acções são visíveis o governo trabalhar com as Igrejas, porque eles acham que é um incómodo ter estas pessoas dentro da Igreja, principalmente quando as mesmas pessoas fazem parte e são responsáveis de certos grupos ou organizações, por exemplo, eu fui responsável de um dos grupo de jovens dentro da minha própria Igreja.

Segundo algumas fontes, colocaram certos indivíduos no meu bairro para poderem vigiar-me, nesta altura eu não ando a vontade, a minha família esta aflita, neste momento, não há liberdade, sempre que vou para um determinado sítio fico com a percepção que se calhar as vezes alguém está a perseguir-me, então as consequências praticamente não param, algumas pessoas excluem-se de fala porque têm dedo de sofrer represálias.

RA: Os individuo que te referes são pessoas ligadas ao governo angolano, a Polícia, Militares ou individuo da segurança do Estado, quem são estas pessoas que têm estado a perseguir-te e a criarem este clima de terror para ti e para a Sua família?

MS: As coisas estão claras, isso é a partir do governo Provincial da Huíla e o mesmo entrou em contacto com algumas pessoas dos Serviços secretos para poderem fazer certas investigações. De certa forma este regime conta com todos, a Polícia Nacional, as FAA (Forças Armadas Angolanas), os serviços secretos do Estado, as Administrações Municipais e a Coordenação dos bairros, então está tudo controlado, até as igrejas estão também nesta lista.

RA: Você teme pela Sua vida?

MA: Sim, eu não tenho duvida nenhuma, se calhar alguma coisa de mal possa acontecer, porque o regime provou-nos durante esta época toda de que é capaz de fazer qualquer coisa no sentido de permanecer no poder e quando de certa forma consegue dar conta de que existe uma voz contestatária a tendência é sempre de querer encosta-lo, portanto estou consciente dos riscos que estou a travessar, sei que a qualquer altura alguma coisa pode acontecer porque já não circulo a vontade mas o povo está disposto a lutar pela liberdade e de querer preserva-la e não se deixar intimidar por isso, de certa forma eu estou disposto a lutar por Angola irei até as últimas consequências. Todo regime que oprime e mata o povo vai radicando as suas próprias unhas, porque a função da autoridade é servir o povo, defendendo-o e fazendo viver segundo o direto e a justiça, infelizmente os governantes angolanos perderam o sentido da autoridade, já não conseguem servir o povo, promovem apenas a injustiça, as perseguições e usam o poder que têm para poder satisfazer os seus interesses individuais e os seus próprios caprichos.

Ao invés de protegerem o povo, os mesmos é que perseguem o povo, porque não se justifica em 14 anos de Paz as pessoas ainda sejam perseguidas por pensarem diferente, é um grande erro quando isso acontece. Não há necessidades de me perseguirem por achar que alguma coisa está errada, um governo que não aceita conselho de ninguém.

RA: Mensageiro Andrade já apresentou uma queixa à Polícia Nacional?

MA: Eu não dei, mas para mim fica um pouco à esquerda, fazer uma denúncia, porque em Angola a justiça infelizmente não funciona, os ricos não vão para cadeia, por mais que se apresente justificações e provas claras, estou a me preparar para dar este paço que é a denúncia.
RA: Se algo acontecer a quem os angolanos e a comunidade Internacional deverão responsabilizar?
MA: Deverão responsabilizar o regime, os dirigentes angolanos que sempre deixaram impune os criminosos, porque estamos num País onde as leis só servem para os pobres, para as pessoas que têm um nível económico-social baixo.

RA: Gostarias de deixar uma mensagem antes de terminarmos o programa de hoje?

MA: Sim, primeiro queria simplesmente dizer a este regime de que antes dos interesses partidários, primeiro deve estar o País, porque antes de fazermos as nossas escolhas se quisermos fazer parte do partido A ou B, em primeiro lugar nós somos angolanos e como angolanos é importante preservarmos a vida, porque aqui em angola não há a valorização da vida humana, porque se houvesse a valorização da vida humana não teríamos constatado o que temos visto. Há tempos vimos a morte do Rufino, e eu em particular fiquei muito chocado com a morte do nosso irmão, não há valorização da vida humana, para eles os pobres podem morrer não interessa ninguém e são os ricos que têm direito à vida. Por outra quero deixar um apelo aos líderes religioso, os mesmos não podem de maneira alguma se deixarem corromper, eu disse uma vez para alguém de que é mais fácil cumprir a vontade de Deus ou a vontade de um Partido, (Partido no poder – MPLA), por outra, vai um apelo aos nossos irmãos ativistas de que, por mais que nos coloquem na cadeia, nos matem, nos ameacem não podemos parar de lutar por aquilo que nós desejamos e acreditamos, porque historicamente nós estamos destinados a mudança, por mis que haja repressão.

Ouça a entrevista na a íntegra da Rádio Angola, conduzida por Florindo Chivucute: http://www.blogtalkradio.com/radioangola/2016/08/18/activista-denuncia-perseguio-por-elementos-do-regime

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