O activista Gika Tetembwa faz parte do grupo de 20 angolanos que subscreveram e endereçaram uma carta ao consulado-geral de Angola na Inglaterra no dia 23 de Janeiro, segunda-feira, onde exigem que estejam reunidas as condições para que os residentes naquele país votem nas eleições gerais previstas para 2017.
“O vice-cônsul, responsável pelas comunidades angolanas no Reino Unido, é invisível. Aqui a gente não lhe vê. Conhecemos-lhe mas não tem actividades, não nos informa de nada. E foi a ele que dirigimos a carta”, contou.

Quanto à carta, Gika avançou que aguardam pela resposta e que, caso não seja respondida passados 15 dias úteis, vão, primeiro, solicitar uma reunião com a cônsul Vicência de Brito.
“Depois de 15 dias úteis marcaremos uma audiência com a cônsul Vicência de Brito para saber deles o que têm a nos dizer sobre a nossa participação, ou não, nas eleições, de forma detalhada, porque não pode apenas sair no Jornal de Angola e nós aqui, no estrangeiro, não somos avisados, nem tidos nem achados”, afirmou.

Segundo avançou o jornal Folha 8 no dia 24, Gika Tetembwa confirmou que a acção levada a cabo na Inglaterra está interligada com a que ocorreu em Portugal, onde um grupo de angolanos também entregou uma carta à embaixada de Angola a exigir a votação na diáspora.

Gika disse também que cartas iguais darão entrada nas embaixadas de Angola na República Democrática do Congo, França, Brasil, França e Estados Unidos da América.

“Há angolanos no Congo, no Brasil e noutras partes, que também estão a fazer parte deste mesmo dinamismo. É uma união das diásporas angolanas, de activistas que sentiram que realmente temos de fazer sentir o que a gente pensa. É um movimento amplo que está em vários países a participarem neste evento”, salientou.

Caso não haja resposta positiva por parte da embaixada, Gika Tetembwa adiantou que tomarão uma decisão em grupo, isto em concertação com as comunidades angolanas noutros países.
Perante uma eventual manifestação defronte às embaixadas, Tetembwa aproveitou esclarecer: “Uma das questões mais importante que temos deixado esfriar, isto por parte de muitos angolanos e até activistas, é de que quem faz manifestação é arruaceiro. A manifestação aqui, na Inglaterra e nos EUA, onde tivemos até a marcha das mulheres, é um dos maiores atributos que existe nas constituições destes países onde a democracia existe”, pelo que “nós, angolanos, não podemos pensar que por fazer manifestações somos sanzaleiros, somos arruaceiros, somos bandidos. Vamos protestar com veemência à frente do consulado-geral”.

Relembrando que a paz de 2001 está a matar mais que a guerra, Gika afirmou que os angolanos são “coniventes ao aceitar José Eduardo fazer uma paz diferente daquela que se fez em 1992”.
“Hoje em dia, o único herói da paz só são os elementos do MPLA, não pode. Quem lutou para libertação de Angola não foram só os elementos do MPLA. Foram também elementos da FNLA, da UNITA. Está onde uma rua que fala de um herói da UNITA ou da FNLA que também lutou contra o colonialismo português? Não existe. Só tem do MPLA, só tem Agostinho Neto ali. Não dá”, frisou, acrescentando: “Não podemos aceitar, temos de ser partícipes daquilo que há na nossa terra, senão quem vai lutar pela nossa terra?”

No final, Gika apelou aos demais angolanos residentes na Inglaterra que queiram fazer parte desse movimento de exigência do voto na diáspora a contactarem-nos, bem como o subscritor Alfa Kuabo, podendo fazer também através da Friends of Angola e Rádio Angola.

A Friends of Angola, organização da sociedade civil sedeada nos EUA, apoia esta iniciativa e tem acompanhado as acções em volta do direito ao voto dos angolanos na diáspora.

Acompanhe aqui a entrevista que o activista cívico, Gika Tetembwa concedeu à Rádio Angola:http://radioangola.org/activista-angolano-fala-sobre-exigencia-do-voto-na-diaspora/

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