Os activistas cívicos José Patrocínio e Casimiro Carbono, falecidos neste ano, vítimas de doença, vão ser homenageados a título póstumo no quadro do prémio nacional direitos humanos criado pela organização não-governamental Friends of Angola.

Rádio Angola

O facto foi anunciado nesta terça-feira, 17/12, pelo director da Friends of Angola, Rafael Morais, à margem do lançamento da revista intitulada “Conheça os seus representantes”, na Mediateca de Luanda.

Segundo a organização, o prémio visa distinguir ONG´s ou individualidades que desempenhem funções importantes ao nível da defesa dos direitos humanos, transparência e boa governação em Angola. Falando à Rádio Angola, o responsável da FoA em Angola, não tem dúvida quanto ao contributo prestado pelos activistas José Patrocínio e Carbono Casimoro, na defesa dos direitos humanos e contra má gestão da coisa pública.

Rafael Morais sublinha que o prémio nacional direitos humanos começa a ser atribuído a partir do próximo ano, com os dois activistas (José Patrocínio e Casimiro Carbono), já falecidos a serem os primeiros premiados a título póstumo.

“A direcção da Friends of Angola decidiu começar com dois grandes activistas que perdemos este ano, que serão homenageados a título póstumo pela sua dedicação em prol dos mais desfavorecidos”, disse.

Segundo Rafael Morais, o encontro serviu igualmente para abordar diversos temas sobre os direitos humanos, no quadro das comemorações do 10 de Dezembro, “Dia Internacional dos Direitos Humanos”. Sobre os homenageados: José Patrocínio “Zé Tô” José António Martins Patrocínio, nasceu no município do Lobito, província de Benguela, aos 26 de Dezembro de 1962.

A imagem pode conter: José Patrocínio, barba e ar livre“Zé Tô”, como era também conhecido, foi activista social, defensor dos Direitos Humanos, Ecologista Humanitário. Teve formação em agronomia, licenciado pela Faculdade de Engenharia do Huambo, fundou em 1998 a Associação cívica OMUNGA, uma organização cívica e de defesa dos direitos humano, tendo criado o Centro de Informação e Documentação (CID) da OMUNGA, onde era dada formação de informática e de jornalismo a jovens sem-abrigo. Era reconhecido como uma das vozes mais activas no país, sobretudo em Benguela, foi descendente de uma família portuguesa que imigrou para o litoral de Angola na época colonial e que se fixou na cidade portuária do Lobito.

Em 2010, José Patrocínio lançou um documentário intitulado “Não partam a minha Casa”, onde espelhava o drama dos inúmeros casos de demolições em Angola. A última causa em que se envolveu foi a campanha “Não à desgraça na Graça”, criada contra uma fábrica de fertilizantes autorizada pelas autoridades numa zona residencial nos arredores de Benguela, com 60 mil moradores, e que podia pôr em causa a saúde pública. A manifestação saiu à rua a 17 de Maio de 2019, organizada pela OMUNGA. Patrocínio foi um dos representantes da sociedade civil que integrou, este ano, uma comitiva que foi recebida pelo Presidente da República, João Lourenço.

Sociedade angolana e activistas cívicos definem o activista José Patrocínio como um “grande combatente pelos direitos humanos” e dizem que “deixa um legado pela tolerância”. José Patrocínio, morreu na província de Benguela, município do Lobito, a 1 de Junho de 2019, vítima de doença, aos 57 anos, tendo deixando um filho. Foi sepultado no cemitério da Catumbela, Lobito.

A imagem pode conter: 1 pessoa, barba, selfie, closeup e interioresCarbono Casimiro Carbono Casimiro, foi um activista cívico e Rapper angolano. De nome completo: Dionísio Gonçalves Casimiro, a sua voz crítica calou-se para sempre aos 37 anos, era uma voz bastante crítica contra a governação do antigo Presidente José Eduardo dos Santos. Em 2011, destacou-se quando, com outros colegas, deu forma a um movimento contra a continuidade de Santos no poder, conhecido por “32 é muito”.

Carbono Casimiro, em conjunto com outros jovens, ficaram conhecidos por organizarem manifestações pacíficas desde 2011, no conhecido grupo Movimento Revolucionário Angolano (MRA), também conhecidos por “revus”, onde exigiam a demissão do ex-Chefe de Estado, Eduardo dos Santos.

O rapper e activista Carbono Casimiro nasceu em 1982 e era funcionário da empresa “Pinguim”, morreu no dia 18 de Novembro de 2019, na Clínica Girassol em Luanda, vítima de doença, tendo deixado uma viúva e duas filhas.

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