Um protesto dos fiéis da “Missão de Santo António dos Gambos”, na Huíla, foi decretado pela comunidade cristã contra o “Projecto de Transumância do Governo Provincial da Huila”, que segundo os habitantes daquela comunidade, “tem retirado, sem o seu consentimento, a água da Missão, tendendo beneficiar os fazendeiros da região, e de cuja exploração intensiva, poderá, na falta de estudos de viabilidade, esgotar o lençol freático da fonte de Santo António, a única de que depende a existência das populações, enquanto Comunidade da Missão”.

Fonte: Rádio Angola

Contactado pela Rádio Angola via telefónica, o Padre Jacinto Pio Wacussanga, da Arquidiocese do Lubango e responsável da “missão católica dos Gamgos”, disse que trata-se uma proprietadade privada pertencente à comunidade, por isso, a medida segundo Pio Wacussanga, visa impedir a retirada de cisternas de água das autoridades e alguns fazendeiros para as suas fazendas.

Em declarações a Rádio Angola, o prelado católico disse que a comunidade de “Santo António” controla na região dos Gambos mais de 600 famílias que nos últimos anos enfrentam muitas dificuldades, como a falta de água, alimento, centros de saúde, escolas e outras dificuldades.

No comunicado a Rádio Angola teve acesso, a comunidade de “Santo António dos Gambos” relatam que a acção de protesto teve inicio a  2 de Janeiro de 2018, às 04H00 da manhã, depois de esgotadas todas as vias de diálogo com o Governo Provincial, e tendo em conta os futuros projectos de resiliência contra as mudanças climáticas, decidiu unanimemente, e com respaldo constitucional, desencadear uma acção de reivindicação pacífica que visa bloquear a entrada, para a Fonte de Santo António, dos camiões das Fazendas da Tunda dos Gambos.

Os habitantes da região dos Gambos na Huíla, diz que a sua reivindicação visa igualmente enviar uma mensagem de encorajamento aos responsáveis governamentais para que sejam encontradas soluções de um plano de “ÁGUA PARA TODOS”, que seja canalizada a partir de fontes alternativas, como por exemplo, a do Rio Caculuvar, do Mbwenthiti e do Nkhulwa e que tal acção beneficie as populações, desde o Lupembe até à fronteira com o Município da Kahama, sublinham os contestatários, para quem “estaremos abertos a ajudar para que solução técnica, abrangente e inclusiva seja encontrada”.

No documento, a Comunidade de Santo António nos Gambos, lembra que de forma humilde, paciente e respeitosa, os responsáveis da referida comunidade sempre bateram às portas das instituições governamentais, para que fosse encontrada uma solução que satisfizesse o interesse de todas as partes, tendo sido ignorados todos os seus esforços e apelos.

Como se não bastasse, refere a nota, representantes da Direcção Provincial de Energia e Águas, com explícito apoio de entidades da Administração Municipal dos Gambos, “ao invés de negociar com a Comunidade de Santo António dos Gambos, afectada pelo problema, optaram por mobilizar comunidades de fora da Missão, com especial destaque para alguns líderes da área do Ngelenge, fazendo-lhes passar por donos da Fonte”.
“Tais expedientes estão a criar crispações desnecessárias entre pessoas e comunidades com potenciais germens de conflitos interpessoais de efeitos duradoiras. Estamos todos lembrados de que a seca tem causado nesta região, conflitos violentos entre pastores junto às fontes de água”, lê-se no comunicado de oito pontos.

Acompanhe aqui as declarações do Padre Jacinto Pio Wacussanga, em declarações a Rádio Angola.

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