Por Publico

Angola é rica em petróleo, tem outros recursos por explorar e população jovem, ávida de educação e emprego. Factores que se deviam conjugar para criar condições de vida digna para o povo e pôr o país a puxar pela Paz e pelos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável em África e globalmente. Essa seria a boa Angola para Portugal.Mas era preciso ter no poder em Luanda homens e mulheres que se empenhassem na governação do país. E não corruptos implicados na cleptocracia montada por José Eduardo dos Santos (JES) e o MPLA para continuarem a reinar desde o fim da guerra civil, em 2002.

Embora a saída de JES abra um novo ciclo – que eu queria de esperança para o povo angolano – não deve haver surpresas nas “eleições” de hoje (o regime não quis a observação eleitoral experimentada da UE por já não confiar sequer na sua própria competência para controlar a encenação…): o General João Lourenço (JL) será Presidente pois o MPLA vai ganhar, por percentagem que convenha à central de forças entrincheiradas no Futungo. UNITA E CASA-CE terão “resultados” calibrados para protestarem, sem mais: sempre podem ser aliciados para uma aliança de poder.

As incertezas virão depois: vai JL ter pretensões moralizadoras ou deixar-se manietar pela teia de cumplicidades que explica a sua indigitação?

JL instou em campanha a elite a trazer de volta “investimentos” no exterior, incluindo “o que sobrar dos diamantes de sangue”. Curioso! Mas também JES se fartou de declamar “tolerância zero” à corrupção, enquanto a fomentava… No entanto, JL parece sentir-se noutra liga e perceberá que, face ao descontentamento popular que as sondagens do próprio MPLA confirmam, tem de se demarcar da Era Zédu ou nunca será ninguém. Começará pelo império dos Santos (e deixá-lo controlar a Sonangol é desistir de governar Angola) ou arrisca primeiro contra os generais que dele se servem? As contradições entre e no seio dos clãs no poder são brutais e, tocadas, podem fazer ruir o sistema.

Gostava de estar errada: temo que o povo angolano ainda vá penar muito, antes de começar a ter governo que não o desgoverne. E temo que nós, em Portugal, paguemos ainda mais por aqueles que, lá e cá, operam a “lavandaria” que desgoverna Angola.

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